Village de Solveira

Solveira

Situada nas abas da serra do Larouco, muito perto da fronteira, Solveira é a mais recente freguesia do concelho. Conseguiu a sua autonomia administrativa à custa da vizinha freguesia de Santo André, que se encontra a norte.

Em 1904, a revista «Lucerna» referia a existência, na área da freguesia, de diversas antas, de vários topónimos de sentido arqueológico (como Pai Mantela, Antas e Moinhos da Gola) de objectos da Idade do Bronze. O povoado fortificado da Casteleira terá sido habitado a partir da Idade do Ferro. O Castro de Soutelo, junto do ribeiro de Forcados, apresentou vestígios de muralhas de pedra e terra.

Em seu redor, foram recolhidos restos de cerâmica, ruínas de edifícios e alicerces de casas. Em 1961, foram encontrados um machados de bronze, duas pontas de lança e um instrumento, também em bronze, com a forma de um garfo. Ali teria existido uma mina há muito desactivada, a julgar pelo rego subterrâneo, ligado a um regato e completamente coberto por lajes líticas. De forma triangular, Soutelo poderá ter sido mais do que um simples castro.

Um outro povoado fortificado, designado Castro, mas de datação indeterminada, foi referido pelo mesmo autor. À superfície, foram encontrados vestígios de muralha sem fossa.

O topónimo Solveira é um dos elementos que confirma a antiguidade da povoação. Parece ser um nome anterior ao século IX. Terá provindo do latim sorbaria, que significa sorveira – género de rosáceas que compreende árvores de madeira dura. Na Idade Média, Solveira foi uma das seis honras das Terras de Barroso, juntamente com Vilar de Perdizes e Santo André. Estava então obrigada a mandar homens à guarda do Castelo da Piconha, pelo menos até ao reinado de D. João I ou, talvez, até ao fim da II Dinastia. Um período, aquele que se seguiu à fundação da Nacionalidade, em que começaram a surgir as Honras em Portugal.

Em meados do século XVII, Solveira sofreu grandes prejuízos devido às Guerras da Restauração. Por estar muito perto da fronteira, o exército inimigo saqueou e incendiou grande parte da povoação, em represália pelas devastações infligidas pelos portugueses. Entre 1841 e 21 de Dezembro de 1853, fez parte do concelho de Ervededo. Extinto em 1853, na sequência de uma reorganização administrativa do país, passou então Solveira para o município de Montalegre.

A antiga freguesia, cujos primeiros registos de nascimento, casamento e óbito datam de 1873. Em termos patrimoniais, Solveira tem como principal monumento a Igreja Matriz, consagrada a Santa Eufémia. É um templo modesto, cuja fachada ostenta no centro a torre sineira, que termina com um relógio e um pináculo. Quanto ao orago, Santa Eufémia foi uma das nove irmãs adelfas dos inícios do século II, filhas de Catílio e Cálsia. Eram, as outras irmãs, Basília, Genebra, Germana, Liberata, Marciana, Marinha, Quitéria e Vitória. Dedicaram a sua vida a Cristo e foram martirizadas pelo próprio pai, por se recusarem a abjurar a fé cristã que as movia.